As deputadas do Bloco de Esquerda Beatriz Dias e Mariana Mortágua vão apresentar queixa ao Ministério Público (MP) na sequência de ameaças recebidas em ‘e-mail’ dirigido à associação SOS Racismo, confirmou à Lusa fonte do partido.

“O Bloco deu imediatamente conhecimento [do ‘e-mail’] à PJ [Polícia Judiciária], as duas deputadas do Bloco irão apresentar queixa ao Ministério Público”, disse à Lusa fonte oficial do BE.

As deputadas do Bloco de Esquerda visadas no ‘email’ são Beatriz Gomes Dias e Mariana Mortágua, mas a deputada não inscrita (ex-Livre) Joacine Katar Moreira também é visada, tal como o dirigente do SOS Racismo Mamadou Ba e Jonathan Costa, da Frente Unitária Anti-Fascista, entre 10 cidadãos.

“Informamos que foi atribuído um prazo de 48 horas para os dirigentes antifascistas e antirracistas incluídos nesta lista, para rescindirem das suas funções políticas e deixarem o território português”, lê-se no ‘e-mail’ em causa, a que a Lusa teve acesso.

No ‘e-mail’ mensagem eletrónica refere-se que se o prazo for ultrapassado “medidas serão tomadas contra estes dirigentes e os seus familiares, de forma a garantir a segurança do povo português”, e que “o mês de agosto será o mês do reerguer nacionalista”.

Com data de 11 de agosto, a mensagem de correio eletrónico foi enviada, a partir de um endereço criado num ‘site’ de ‘e-mails’ temporários, para o SOS Racismo e é assinada por “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, a mesma designação de um grupo que reclamou, na rede social Facebook, ter realizado, de cara tapada e tochas, uma “vigília em honra das forças de segurança” em frente às instalações da SOS Racismo, em Lisboa, e que um dos dirigentes desta associação, Mamadou Ba, classificou como “terrorismo político”.

Mamadou Ba esteve hoje a prestar declarações na Polícia Judiciária (PJ).

A notícia foi avançada pela RTP e confirmada pela Lusa junto de fonte policial.

Em declarações à RTP, junto à sede da PJ, em Lisboa, Mamadou Ba disse que ele próprio e outras pessoas receberam um ‘e-mail’ na terça-feira a dar um prazo de 48 horas para abandonarem o país, senão corriam risco de vida.