Centros comerciais de Lisboa e Setúbal podem não reabrir a 1 de junho. Governo está a ponderar adiamento da abertura. Ou abrem todos no dia 1 ou não abre nenhum.

O Governo vai ponderar até ao conselho de ministro desta sexta-feira o adiamento da abertura de centros comerciais na zona de Lisboa e Vale do Tejo devido à situação de contágio por Covid-19 que se verifica nesta região.

A hipótese foi colocada pelo primeiro-ministro, António Costa, na reunião que esta quinta-feira juntou especialistas, dirigentes políticos e responsáveis de vários setores da sociedade no Infarmed, em Lisboa.

Perante os dados apresentados, os especialistas manifestaram preocupação com a manutenção do aumento de casos nos distritos de Lisboa e de Setúbal, devido a vários surtos.

Foi mesmo passada a ideia de que a situação pode ficar descontrolada na região de Lisboa e Vale do Tejo por não ser possível, neste momento, identificar todas as linhas de contágio.

Um dos deputados presentes na reunião sugeriu que alguns centros comerciais, como o de Loures, não abrissem. Ao que um dos especialistas da Escola Nacional de Saúde Pública respondeu que não adianta manter um centro comercial fechado se a 10 quilómetros outros estiverem abertos.

Perante isto, ao que foi relatado à Renascença, o primeiro-ministro disse que, pelo que estava a ouvir, felizmente o Conselho de Ministros seria só daí a 24 horas para dar tempo ao Governo para refletir se faz sentido ou não adiar a abertura dos centros comerciais na região de Lisboa e Vale do Tejo. Esta região inclui a Grande Lisboa, a lezíria do Tejo, o Medio Tejo, o Oeste e a Península de Setúbal.

António Costa, que vive na zona de Benfica em Lisboa, até invocou essa sua condição para dizer que percebe bem como é difícil controlar o distanciamento e cumprimentos das regras sanitárias num local como o Centro Comercial Colombo.

Na reunião foram também apresentadas conclusões de especialistas que visitaram empresas na região de Lisboa e que concluíram que as metodologias de trabalho estão de acordo com as regras para evitar contágios. Ou seja, não terá sido nas empresas que os surtos nasceram.

O primeiro-ministro fez várias perguntas sobre as condições nas empresas e nos transportes e, face às respostas, questionou se não será nos cafés onde os trabalhadores param antes ou depois de irem trabalhar que os contágios se estão a disseminar.

Mário Durval, delegado regional de saúde para Lisboa e Vale do Tejo, defendeu que, na dúvida, serem ser fechados cafés e tascos. O primeiro-ministro, contudo, só se referiu ao eventual adiamento da abertura dos centros comerciais.

Em termos de medidas diferenciadas para esta região, essa foi a única deixada como hipótese na reunião que decorreu no Infarmed, mas o Governo pode estar a ponderar outras.

Por diversas vezes, António Costa disse que, sempre que fosse preciso, o Governo voltaria atrás nas medidas de desconfinamento.

Os últimos decretos de estado de emergência previam a possibilidade de haver medidas diferenciadas em termos regionais, mas essa possibilidade nunca foi usada. A situação de calamidade, que se seguiu ao estado de emergência, também permite tomar medidas localizadas.

No final da reunião desta quinta-feira no Infarmed, o deputado Ricardo Batista Leite do PSD adiantou que o Governo vai estudar a possibilidade de adiar, na região de Lisboa e Vale do Tejo, a aplicação de algumas das medidas previstas no âmbito da terceira fase de desconfinamento.

De acordo com o boletim epidemiológico desta quinta-feira, 87% dos novos casos registados nas últimas 24 horas ocorreram nesta região.

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, mostrou-se atentado e preocupado com “evolução recente” da pandemia de Covid-19 em Lisboa e Vale do Tejo, mas adiantou que a situação não está descontrolada.

“O que se passa hoje nesta região vai ser analisado nos próximos dias e semanas, não com a ideia de haver um sinal que conduza a uma inflexão da linha definida, mas um ajustamento permanente”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa.

O pico da Covid-19 na região de Lisboa só deverá acontecer na terceira semana de junho, face ao continuado aumento de casos de infeção. A conclusão resulta dos modelos preditivos desenvolvidos pela COTEC Portugal e pela NOVA Information Management School (NOVA IMS), da Universidade Nova de Lisboa.

Portugal regista 1.369 mortes (mais 13 que na quarta-feira) e 31.596 casos confirmados (mais 304, número mais alto desde 8 de maio e que supõe um aumento de 1%) de infeção pelo novo coronavírus, segundo o boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

O relatório desta quinta-feira, com dados atualizados até às 00h00 de quarta-feira, mostra uma subida de 288 no número de recuperados, para um total de 18.637, que compõe 59% dos casos confirmados. Há mais três casos ativos: sobe para 11.590.